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João Huss foi queimado por sua igreja
Mário Hort - 22/11/2016

Segundo a tradição, antes de ser queimado, Huss disse ao carrasco: “Hoje vocês assam um ganso, mas em cem anos ouvirão um cisne cantar e não serão capazes de assá-lo.” Todas as cinzas de João Huss, de seus ossos, livros e do resto da fogueira foi lançado no Rio Reno. Fonte: Jan von Flocken, jornalista e historiador - Berlim.

Huss foi o precursor da Reforma na Boêmia, (hoje República Checa) sob a influência das ideias de John Wycliffe.

A Igreja Moraviana existe até hoje e é herdeira de Jan Hus. Conhecida originalmente como Igreja dos Unitas Fratrum ou a Unidade dos Irmãos. Eles se reorganizaram no ano de 1457, e no tempo da Reforma havia entre 150 a 200 mil membros, em quatrocentas igrejas por toda a Europa Central.

Uma das primeiras e maiores tentativas da Reforma foi queima de João Huss. Huss foi entregue à autoridade secular por sua igreja e o rei da Alemanha, Sigismundo, através de uma revogação tentou evitar o pior.

No dia 06 de junho de 1415, aos 46 anos de idade, um cavaleiro avançou até a fogueira que estava preparada, dizendo que Huss deveria renunciar aos seus ensinamentos, mas ele negou. Então o próprio enviado do rei deu a ordem do incêndio.

Antes da execução colocaram uma coroa de papel, sobre a cabeça de Huss, onde estava o desenho de três diabos, que com suas garras puxavam a sua alma.

Sobre a coroa de João Huss estava o título: “Este é um arco-herege”. Estava presente uma elite armada com 3000 homens, e havia grande multidão de homens e mulheres presentes no ato.

Huss foi condenado à morte no Concílio de Constança. A condenação foi efetuada sob a gritaria do povo, di-ante do portal da cidade alemã. A testemunha ocular, Ulrich von Richental relata em sua crônica:

"O carrasco amarrou Huss e deu-lhe um banquinho sob os pés, colocou madeira e palha em torno dele e todos os seus livros. Logo derramou piche sobre a lenha e incendiou Huss amarrado no poste."

Um dos que estavam presentes na execução foi o sacerdote Poggius Florentini, também conhecido com Poggius o Papista. Foi ele quem entregou o legado do papa, para que Jan Huss comparecesse ao Concílio de Constança e depois participou do concílio como votante pela queima de Huss.

Após a execução, Poggius escreveu duas cartas para seu amigo Leonhard Nikolai, que existem até hoje. Tra-ta-se de um relato importante que revela ás últimas palavras de João Huss, antes de morrer:

“Ele chegou até a estaca olhando ela e sem medo subiu nela, depois que dois assistentes do carrasco haviam rasgado suas roupas… Naquele momento o príncipe Ludwig do Palatinado, subiu e implorou que Huss voltasse atrás, para que fosse poupado da morte das chamas. O príncipe voltou cheio de pena e muita admiração”.

O condenado cantou em voz alta o hino "Cristo, Filho do Deus vivo tem misericórdia”! No local onde João Huss foi queimado em Constança, existe hoje uma enorme rocha que é o Memorial do acontecimento que marcou a cidade, no Sul da Alemanha.
 

Mário Hort

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